segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A minha primeira maratona

Se foi aqui que fui registando as primeiras impressões, faz todo o sentido que também seja aqui que venha deixar por escrito o feito conseguido ontem naquela que é, para mim, uma das cidades mais belas do mundo (o Porto, claro). Corri ontem a minha primeira maratona em cerca de 4 horas e vinte e quatro minutos. Fui acompanhado pelo clube Personal Runner, dirigido pelo António Nascimento e pela Meire Cesário Oliveira.

Tudo o que se diz sobre aquela provação é verdade. Não vale a pena mentir: quis desistir por várias vezes. Se até ao quilómetro 30 havia tempo para tudo (fazer piadas com os colegas de corrida, actualizar facebook, responder a amigos, picar outros), depois disso a coisa fica séria. Quando se entra no muro (e muro é bem capaz de ser, de facto, a melhor forma para descrever o que se sente), a coisa muda de figura. É um muro que temos pela frente, mas também é um muro sobre o qual temos a sensação de estarmos permanentemente a equilibrarmo-nos. Ao mínimo deslize, podemos cair lá em baixo. Um dos principais conselhos que me foi deixado por outro maratonista (o R.D.), e que ia já na sua 10.ª prova, foi: «cuidado, uma das coisas mais fáceis de se dar quando estamos no muro é cairmos». Isto depois do meu primeiro tropeção em que quase ganhei nova dentição. Íamos perto do quilómetro 30 e ele sabia o que se aproximava. Nós não. Nós era eu e o N.B., um guerreiro com mais dois dígitos de peso e idade do que eu e que esteve a marcar o ritmo durante os 10km. Notável. De um coração e mente impressionantes. E esses 10 quilómetros, ou mais, já não sei, nunca os vou esquecer.

Quando chegámos à foz do Porto, encontrei então outro quase maratonista, fizemos ainda uns três quilómetros juntos. Quando chegamos ao final da Av. Buenos Aires eu pensei que voltaríamos logo para a Avenida Boavista. Engano. Havia que dar a volta à rotunda, seguir até Matosinhos, e então subir a referida avenida. Reforço: subir. São 1500 metros que no dia anterior avistara e lembro-me de pensar: a subida nem é assim tão má. Mas nessa altura, claro, ainda não tinha 40 km em cima. O final foi penoso, foi ir buscar forças onde não se sabia que tinha.

O António e a Meire, a fazer de lebres aos outros companheiros do clube de corrida, chegaram logo a seguir. O país tinha cinco novos maratonistas e todos eles estavam gratos a esta dupla que nos treinou, e aturou, ao longo de meses. Sem nunca deixarem de acreditar que conseguiríamos.

Próximos objectivos? Aguardem um pouco. Prometo que venho cá dar-vos conta dos próximos passos. Ao Sérgio: tenho a certeza que conseguirás, rapaz. Só não me ofereço para te dar ajuda nesse dia e te acompanhar, porque, confesso: neste momento dói-me demasiado a cabeça e o ar para sequer pensar em voltar a calçar as sapatilhas.

1 comentário:

  1. Nunca duvidei que o irias conseguir! Muito feliz por te teres superado! Espero ter a mesma felicidade no dia 27, em Valencia!

    Abraço

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