segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A vida depois dos 30


Bem vistas as coisas, em termos de maratona, não é a idade que me preocupa são os quilómetros que a compõem. E isto tudo não porque pense que não serei capaz de os fazer, mas sim porque não sei como o meu corpo irá reagir aos mesmos. Ainda faltam três meses para chegar o dia da maratona, mas eu cheguei agora aos 30kms e cheguei lá depois de três horas e picos de treino.

É sair de manhãzinha e dizer volto lá para a hora do almoço, é pensar que atravessas a frente ribeirinha da cidade quase de uma ponta à outra e depois voltas para trás, é saber que às x horas chega sempre um cruzeiro à doca em frente a Santa Apolónia e quando passas pela segunda vez no Terreiro do Paço já só faltam menos de 10kms para o fim. Só ou ainda? É aí que se instala o diálogo entre o corpo e a cabeça e que cada um que se esteja a iniciar nas distâncias terá oportunidade de o fazer à sua maneira.

Da minha parte, até aos 25kms foi a conversa do costume, o corpo que se queixa que isto não são maneiras de ser tratado, a cabeça que o manda seguir em frente, o corpo que às tantas já vai em automático e que, quando é a cabeça a duvidar do que estão a fazer, lhe diz que, seja como for já vão a caminho, por isso que se deixe ir andando. Mas, conforme chegamos a fronteiras novas, a parte final do treino é sofrida porque entre necessidade de comer, desgaste e constante hidratação, é nessa altura que vamos buscar as forças que os treinos todos que não apeteciam e que se calhar até ficava para amanhã nos deram. Respira-se fundo, pragueja-se ligeiramente (pronto, nem sempre ligeiramente) e faz-se o que falta até ao fim.

Depois do final e de uns primeiros instantes de recuperação, a sensação de estar mais perto dos 42kms vem em segundo lugar. A primeira é a de uma fome que dá vontade comer este mundo e o outro.

1 comentário:

  1. gosto particularmenet de acompanhar a odisseia de corredores que se preparam para a 1ª maratona, dado ter percorrido o mesmo caminho em 2010. é exigente, requer espírito de sacrifício, temos que alterar a nossa rotina pessoal e familiar. mas a sensação de cortar a meta é indiscritível. este ano vou para a segunda.
    a experiência e modestos conselhos estão relatados em http://kmepalavras.wordpress.com

    bons treinos.

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