terça-feira, 26 de abril de 2011

25 de Abril sempre (a correr)


Não andando nestas lides de correr à tanto tempo quanto isso, tenho uma natural curiosidade em descobrir provas que, pelo seu percurso ou pela sua história, fazem parte da rotina de quem já acumulou muitas milhas nos ténis.

Assim sendo, porque nem só de grandes distâncias se faz o percurso até uma maratona, ontem homenageei o 25 de Abril de forma inédita – participando nos 10kms da Corrida da Liberdade, que já vai na 34ª edição. A partida não podia ser mais simbólica, saindo do interior do Quartel da Pontinha mas, o que me continua a agradar mais nestas corridas mais “pequenas” é o espírito que se vive à parte das grandes multidões, reforçado em particular nesta edição pelos cravos com que muitos fizeram questão de correr.

Há o reencontro entre veteranos das corridas, as picardias entre os habitués das provas nacionais, os grupos de amigos que combinam já a próxima data e a sensação de que, tempos e objectivos à parte, fazemos parte da “família corredora”.

Quanto à corrida em si, foi agradável, apesar do calor que insiste em marcar presença nos dias em que me dava jeito um tempo mais fresco. Embora 10kms sejam agora uma distância que me parece extremamente confortável, tenho sempre alguma dificuldade em controlar o meu ritmo ideal na fase inicial, pelo que me fui guiando por amigos meus “especialistas” na distância.

Quatro kms depois, entre voltas na Pontinha rumo ao Lumiar, com o estádio do Sporting à vista, já moldei a passada à distância. Arranca-se para o Campo Grande, fazemos a Avenida da República com direito a passagem pelos túneis, estilo BMWs suados e, de repente, surge a meu lado um parceiro desconhecido e logo fazemos um acordo. Eu puxo-o até ao Campo Pequeno, ele ajuda-me até ao Saldanha e depois é sempre a descer até aos Restauradores, local da meta.

Acelerando à medida que entramos nos últimos kms, cerro os dentes e ainda consigo ficar incrédulo como é que pessoas com mais 20/30 anos que eu passam por mim como se fossem de mota. Orgulhos feridos à parte, vejo que afinal não são 10kms, mas sim perto de 11, deixa estar já estamos na Avenida da Liberdade e as pernas não vão reclamar do acrescento (pelo menos na altura).

Corto a meta, cumprimento o parceiro desconhecido, que faz o mesmo antes de se despedir com um “Na próxima conto contigo”, sem que seja preciso definir quando será essa próxima. Recorde pessoal batido (qualquer coisa como 47 minutos aos 10kms), sem certezas exactas por causa da distância incorrecta e, com o sol do 25 de Abril já bem alto, é altura de descontrair e recuperar energias.

Até porque continuamos em época revolucionária de corrida e para a semana há um 1º de Maio para experimentar.

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