terça-feira, 8 de março de 2011

Hola, fui espanhol durante 20km


No meu percurso até à meia maratona do próximo dia 20, não tinha programada qualquer corrida adicional, para além dos habituais treinos. Mas, assim do nada, surge-me a proposta – 20kms de Cascais ao Guincho e voltar, numa prova que oferece a Estrada do Guincho como um dos principais atractivos.

A contrapartida de abdicar de um treino longo não ofereceu grande resistência e as condições metereológicas menos animadoras também não desmotivaram. Teria ainda de correr sob um pseudónimo, já que o corredor escrito era um jovem espanhol ausente devido a um casamento imprevisto.

Bueno, não sendo um ghostwriter, pois que seria então um ghostrunner por umas horas.

Domingo de manhã, ao chegar a Cascais, a chuva persistente prometia uma corrida em registo ensopado mas, no entanto, veio a provar-se que a chuva mentia. Minutos antes da partida, frente ao Hotel Baía, a chuva começou a abrandar e com os primeiros kms surgiu também um sol tímido. A primeira parte da corrida, dentro de Cascais, foi boa para desentorpecer perante um percurso que desconhecia e, lado a lado com o anfitrião (só em título, pois fazia também a estreia nesta prova), atacámos esse início de prova em amena cavaqueira, a um ritmo só ligeiramente mais rápido do que em treino.

Chegados à Estrada do Guincho, passando a Guia e ladeados pelo mar de um lado e o campo do outro, eis a primeira surpresa – o vento, habitual nessa zona, era quase nulo e as condições, a meu ver, estavam perto das ideais. E se uma boa paisagem ajuda numa corrida longa, então o Guincho deu-me uma ajudinha valente. Alcançado o ponto de retorno, perto dos 13kms, o abastecimento dos 15kms foi logo ali ao virar da esquina e aí acelerei um pouco, combinando o reecontro com o meu parceiro de corrida para depois da linha da meta, já que me sentia mais fresco do que ele.

Os 5kms finais foram divertidos, primeiro porque quando nos sentimos bem é fácil desfrutar de um final de prova, face às vezes em que os últimos kms são um calvário. Em segundo lugar, porque apreciei bastante o percurso que, apesar de ser algo diferente do que vou encontrar na meia da ponte 25 de Abril, provou ser muito convidativo. Finalmente porque, embora estivesse no último terço do pelotão, efectuei a prova em crescendo, contando-se pelos dedos de uma mão os corredores que me ultrapassaram nessa fase da corrida, face aos muitos que descontraidamente fui ultrapassando.

No final, a classificação era o que menos interessava (digamos que foi entre os ilustres 1000 primeiros), perante o facto de ter tido à disposição um percurso que recomendo vivamente a quem, como eu, goste de correr junto ao mar. Isto para não falar da experiência de ter sido a primeira corrida como espanhol.

Além disso pues que, a continuar assim, salvo imprevistos, o objectivo estabelecido para a estreia na “meia da ponte” será cumprido. Mas, sobre isso, falaremos mais à frente.

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