segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Do frio


Ao contrário de amigos meus, não tive a “sorte” de correr com temperaturas negativas acompanhado por um manto de neve, seja na Grã-Bretanha, na Áustria ou num inverno mais rigoroso em Freixo de Espada à Cinta. Por isso, que me desculpem aqueles que verdadeiramente já correram com frio a sério, mas ontem, sem a ajuda do amigo Celsius e com o contributo de um ventinho de Leste, que tiraria o ânimo a qualquer queniano menos preparado, fiz-me à pista. Lá consegui a companhia de dois amigos que tiveram o pouco tino de ir na minha cantiga e, posto isso, nada melhor do que irmos recriar uma secção de congelados à beira-rio, com o percurso de 15/16km Docapesca-Santos-Docapesca na ementa.

E então começa o frio.
Apesar de reconhecer o valor do devido agasalho do corredor no Inverno, tenho-me na conta de encalorado. Como tal, levei roupa a mais do que pensei levar, mas muito menos do que devia ter levado. Assim sendo, nos primeiros kms, quem se fosse a cruzar comigo teria tido direito a um espectáculo privilegiado em que, aparentemente, alguém tentava combater efeitos estilo Botox na cara, ao mesmo tempo que mexia os dedos da mão como se estivesse a lavar a cabeça a alguém furiosamente. Pude comprovar cientificamente que nos comportamos de forma estranha quando tentamos não congelar.

Ao fim de alguns kms, os que resistem à tentação de se transformar num douradinho começam finalmente a sentir partes do corpo que julgavam perdidas para sempre. Aquele calorzinho que resulta do esforço de repente começa a ter a companhia de um sol tímido tornando a coisa mais agradável e lá se vão sacando umas piadas, uma vez que os dentes já não se limitam a estar cerrados para balanço.

O ritmo é tranquilo e ao fim de uma hora e meia já se está de volta ao carro, onde uns casacos e uma música animada me ajudam a chegar à conclusão que, haja vontade e um sítio para descongelar, sempre se faz mais uma corrida mesmo que o frio não seja só psicológico.

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