sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Sem transpirar

A propósito do meu último post, o Paulo falou da Rosa Mota, velha glória da pátria e senhora que eu sempre admirei. Rosa Mota corria simplesmente correndo, sem trejeitos particulares, excentricidades decorativas ou esgares sofridos. Nunca esquecerei as noites em que, acordada de madrugada pelo meu avô, a vi correr como se nada fosse no outro lado do mundo. Não era parecer fácil, era a elegância com que o fazia e com que, acredito, ainda o faz. Quando o cansaço chegava a todas as outras maratonistas, a cabeça da Rosa Mota não tombava, a anca não se desconjuntava, os braços não balançavam e as pernas mantinham o seu ritmo com uma classe invejável. Gosto de atletas que não transpiram, que não dão nas vistas, que a cada quilómetro que percorrem não nos dizem vejam lá como é difícil isto que eu estou a fazer. Assim como gosto de escritores que, a cada página, não nos estão sempre a dizer vejam lá como é difícil isto que eu estou a fazer. Correm simplesmente correndo, escrevem simplesmente escrevendo. E que, assim como quem não quer a coisa, o fazem tão bem.

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