sexta-feira, 3 de setembro de 2010

NÃO NASCI PARA CORRER

mas, quem sabe, talvez tenha nascido para contar.
E o que conto é bonito e aquece a alma. Rejubilai, mundo, que é chegada à hora dos corredores!

Não nasci para correr, já o disse, mas às vezes corro. Tenho uma oliveira e nunca tive de correr atrás dela, mas a oliveira tem osgas (ilegais, mas não sou SEF) alojadas debaixo do prato da água e corro desvairada sempre que me cruzo com as ditas. A corrida, para a qual não nasci, faz, afinal, parte do meu dia-a-dia de regadora.

Como correr, então, sem uma osga gigantesca, ou duas que elas andam aos pares, a correr atrás de nós para nos retraçar as entranhas e devorar até ao tutano, como acontece no meu quintal?
E foi então, a meio da 4ª volta do aquecimento, a chegar à corrida, que me caiu a ficha: nem sempre temos de correr para fugir. Nem todos vós terão osgas no quintal, por isso falo-vos do óbvio, mas para mim foi uma epifania. E pensei ainda que, se tivesse uma epifania de cada vez que corresse, talvez correr tivesse o seu propósito e não seria má ideia fazê-lo mais umas vezes, pelo menos até descobrir o sentido da vida (que também vêm em epifanias, uma vezes, ou em aparições de criaturas aladas, outras vezes).

Não tive mais epifanias durante a corrida, mas dormi que nem um anjinho nessa noite e descobri que correr com franja é correr com estilo (vide foto de mim e da bela Sara, agora candidatas oficiais ao título de Miss Setembro). Tem os seus perigos, é certo, mas se a mantivermos com um comprimento aceitável, não temos de correr com a cabeça inclinada para trás nem acordar com uma ligeira dor no pescoço.

O Paulo corre como se tivesse um batalhão de osgas a persegui-lo, o que é deveras bonito e comovente. Qual terá sido a epifania dele?
Um dia, hei-de correr como o Paulo. Até lá, corredores deste mundo, revelai-vos e uni-vos! Que já se fizeram revoluções com menos.

Afinal, de que falamos quando falamos de correr? Não sei, mas prometo que vou pensar nisso da próxima vez que correr.

Sem comentários:

Enviar um comentário