segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A corrida na Foz ou quando Jaime Ramos se abeirou à janela.

Afinal nem corremos assim tanto, mesmo porque a vista e as paisagens convidam a reflexões mais profundas. Mais a mais, havia conversa para colocar na ordem do dia com a Teresa. A verdade é esta: eu já vira a Teresa várias vezes, até já tínhamos trocado cromos profissionais, escrito mensagens de e-mail, por telemóvel, Facebook (onde existem fotos que asseguram a sua existência, apesar de sempre ter dúvidas se se trataria de um holograma – os desencontros foram tantos que essa ideia me ocupou o espírito durante semanas. Ela diz que a ignorei por diversas vezes, numa sobranceria que rejeito, mas concedo, pois já tenho quilómetros suficientes nas pernas para nunca discordar de uma mulher bonita).

A corrida, em si, que é o que menos importa neste caso (aviso já) deu-se em passo de conversa, ainda que a distância tenha sido demasiado curta para todos os assuntos a tratar. Percorremos a Foz para lá, para cá, depois para lá e para cá. Começámos do lado da Tavi, cuja esplanada chamava por nós, e ali voltámos. A Teresa que é simpática levou-me ao hotel, não fosse eu ter a infantil ideia de ir a correr até lá.

Durante este percurso, não podendo jurar, quase que garanto que vi Jaime Ramos à janela do Bonaparte. Atrás dele, a bela Cláudia (aviso também que aqui a imaginação se confunde um pouco, pois já não sei se foi a minha cabeça ou a do detective que operou estas ideias), dizia, a bela Cláudia dava-lhe um abraço morno – um abraço morno, mas sentido, que dias não são dias e apesar da dedicação do detective a Rosa, sua vizinha, sabemos já que Jaime Ramos até já admitiu que casaria com Cláudia, se pudesse, pelo que os seus intentos e sentimentos são generosos e puros. É verdade que, no livro, a Cláudia não se chama Cláudia, mas como diz o outro, conhecemos o nome que nos deram, não o nome que temos. Depois virámos costas ao Jaime Ramos, à bela Cláudia (a Teresa executou este movimento com mais veemência – coisa de mulheres) e seguimos.

Ainda falámos de livros, corridas, Lisboa, Porto – da distância (que não necessariamente a da corrida). E não me lembro de muito mais. Ao rever as fotos, percebo porquê.


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