terça-feira, 28 de setembro de 2010

Correr no lixo

Há uns dias li algumas recomendações para corredores: cuidado com os atacadores, cuidado com o trânsito, cuidado com o volume do ipod a impedir a percepção do que se passa à volta... Mas nunca ninguém me tinha avisado que, durante o treino, podia cruzar-me com bandos de pseudo-universitários a humilhar colegas acabados de chegar à academia. Eles chamam-lhe praxe, mas a mim (que felizmente andei numa universidade onde tal não existe) pareceu-me um espectáculo degradante. Sacos de supermercado espalhados pela relva, frascos com polpa de tomate em cima dos bancos de jardim, pacotes de farinha nos bebedouros, garrafas de cerveja e sei lá mais o quê, lixo por todo o lado e um cheiro nauseabundo. E logo hoje que eu - orgulhosamente - acabava o meu primeiro plano de treino. Sei muito bem o que é que fazia àquelas bestinhas que davam ordens aos desgraçados dos caloiros, encharcados em pastas cuja composição nem quero adivinhar: punha-os a limpar tudo aquilo que sujaram. Com a língua, com as mãos e, sobretudo, com aquelas ridículas capas pretas.

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