sábado, 21 de agosto de 2010

Diário de uma correspondente oficial não participante nas corridas #1

Vamos lá ver se isto corre bem.

Incapaz de compreender o encanto da corrida, pouco talentosa para actividades físicas colectivas e ligeiramente hipocondríaca, não sou candidata a juntar-me aos bravos do pelotão. Mas este grupo que lê a correr ou corre a ler teve a generosidade (deve ser qualidade de atletas) de me designar "observadora externa", à mesa de um famoso bar de Lisboa, que dá pelo nome pouco desportivo de Botequim.

A minha primeira e pouco iluminada conclusão é que estamos perante um movimento: tem 10 mandamentos, evangelizam o próximo, vivem dedicados à causa e o colectivo vale mais do que tudo. Se não, vejamos a frase de Paulo Ferreira (pasmem-se): "Primeiro Correr para Contar, depois o Benfica". Perante o choque desta observadora externa, tentou compor o entusiasmo e transformá-lo numa declaração mais credível, como "correr pelo Benfica, isso é que é importante", mas já não convenceu. Não sei se o supracitado benfiquista estudou o seu clube, literariamente falando. Mas a corrida já lhe mereceu leituras, onde descobriu as "endorfinas", afinal as culpadas de tudo isto. A propósito, aconselho uma passagem por este sítio. Será este o livro consultado pela águia convertida à corrida? Ficamos à espera de confirmação...

Em matéria de declarações surpreendentes, os apóstolos da corrida não ficaram por aqui. Ricardo Duarte, antes conhecido como "o rapaz do JL", a caminho da glória como "o rapaz que corre para encontrar uma coca-cola no deserto", disparou: "Temos de acabar com o cepticismo!", referindo-se a esses inacreditáveis seres que não se interessam por dar corda aos sapatos. E por falar em sapatos, esta não é, pude observar, uma questão menor. Consta que já há telefonemas de principiantes a querer saber qual o equipamento mais adequado. E há ainda, neste âmbito, um debate linguístico: sapatilhas ou ténis? Uma vez que o movimento já é absolutamente nacional, a questão é difícil de esclarecer, e posso dizer, com segurança, que ainda não há consenso no grupo.

A meio desta noite alucinante para uma observadora recém-nomeada, ainda surgiu uma ideia de negócio: um serviço de motivação via sms, aplicável a várias áreas, que não exclusivamente a corrida (o que haverá para lá da corrida?). O subscritor deste serviço receberia de x em x tempo mensagens nesta linha: és o maior; tu consegues; acredita, vais chegar lá. Tem potencial. Mas não tanto como estes corredores. Não há dúvida que são os maiores!

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