terça-feira, 31 de agosto de 2010

Personal trainer

Esta manhã, durante todo o treino, tive a inesperada e indesejável companhia de uma mosca. Uma mosca daquelas chatas, chatas, chatas, mas mesmo muito chatas. Uma mosca que insistia em pousar na minha testa suada, nas minhas sobrancelhas, nas minhas orelhas, no pescoço, etc., etc., obrigando-me a gesticulações pouco elegantes que consumiam sem proveito as minhas parcas energias.
A dada altura, percebi que havia uma lógica na acção da mosca: ela só arriscava pousar se o ritmo da corrida baixasse muito. Assim que eu acelerava, deixava-me em paz. Assim que eu amolecia, punha-se a fazer piruetas frente aos meus olhos e a aterrar sem pudor na minha pele humedecida.
Ou seja, por causa dela lá fui fazendo um sprint aqui, outro sprint ali, alargando a passada, num esforço titânico para não baixar muito dos seis minutos por quilómetro. A minúscula mosca, a mosca chata, chata, chata, mas mesmo muito chata, acabou por ser o meu treinador, zumbindo-me a toda a hora, na sua linguagem de insecto, qualquer coisa como «vá lá, força nessas pernas, acelera-me isso, tu consegues, vá, vá, vá, tu consegues, força rapaz, não me deixes ficar mal». E eu, que tanto vociferei contra aqueles voos suicidas e contra a insolência do feioso ser alado de seis patas, talvez tenha de lhe deixar, aqui, no fim deste post, qualquer coisa que se assemelhe a uma palavra de gratidão.

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