quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Penso e existo, logo corro. E acredito.

O bom René Descartes, sobre o qual cai o peso de ser o fundador da filosofia moderna, postulou que se limparmos a nossa mente de tudo o que temos lá dentro, chegaremos à conclusão que pensamos, logo existimos. Seria esta a verdade única, cristalina, a partir da qual, usando a dedução, nos permitiríamos chegar à evidência de que Deus existe (o que para quem era racional até à última linha não deixa de ter a sua ironia).

Não sei se seria possível ter a certeza que fomos capazes de esvaziar a mente, contudo, correr é o mais próximo que tenho de conseguir eliminar do espírito a catadupa de pensamentos que me percorre ao longo do dia (o-semáforo-verde-amarelo-e-vermelho; o-número-de-euros-necessários-para-comprar-um-café; aquela-pessoa-a-quem-deveria-dar-uma-oportunidade; outra-que-deveria-esquecer; o-cliente-a-quem-posso-dar-um-pouco-mais; o-telefonema-que-ainda-não-fiz-aos-que-gostam-de-mim; a-rapariga-bonita-que-corre-no-sentido-contrário-ao-meu; ...).

Não me recordo se Descartes fala de espírito, nem estou seguro que o seu método seja o melhor. Aliás, parece-me sempre que achar que apenas existe o que pode ser provado deixa inevitavelmente de lado o que de mais profundo e eterno temos (e que justifica a ideia de Deus): a capacidade de crer. No final do dia acreditamos no que queremos (cremos, perdoe-se a redundância). É sempre assim. Não porque conseguimos provar ou mostrar por a+b.

Creio que vamos todos acabar a percorrer a meia-maratona. Se o consigo provar? Absolutely not. Se estou disponível para o provar? Podem ter a certeza que acredito que sim.

Sem comentários:

Enviar um comentário