domingo, 22 de agosto de 2010

Newcastle. Corrida contra o tempo (moderno).

Hoje havia sol e tudo o que, para esta zona do globo, é um luxo do caraças (que é uma expressão muito própria cá da zona).
Como podem ver / ler no meu post de 6ª feira, no meu percurso de corrida, passo por campos, vacas e muitas árvores.
E esta é talvez uma boa razão para não levar iPod na viagem. Só para ouvir o que se passa à volta.
(Ou então porque simpesmente não tenho iPod).
Para mim, a motivação vai na cabeça. Não no "Spaceman" dos Killers.
Hoje em dia uma pessoa que vá correr parece que vai para uma missão a Marte. Leva mais tecnologia que sei lá.
Eu bem tenho visto os gráficos que aparecem neste blog, senhor Ferreira.
Não tenho nada contra isto, atenção. Eu próprio, admito, tenho daqueles relógios que contam as pulsações (e por sinal tb as calorias) porque um senhor cardiologista há uns anos me obrigou, pois eu tinha umas alterações de ritmo cardíaco um bocado parvas. Se não fosse por isso, acho que não tinha.
Mas a tecnologia está, quanto a mim, a invadir de modo exagerado o nosso dia-a-dia.
Nas coisas mais simples. Como correr, por exemplo.
Lembram-se quando faziam ginástica na escola com umas sapatilhas de lona e sola de borracha que a cada passo dado sentíamos um esticão do calcanhar à cervical como que a dizer "daqui a uns anos vais lembrar-te de mim".
Corríamos e não pensávamos sequer que em 2010 andaríamos a correr e a ouvir audiobooks.
Ou que teríamos um telefone que, além de telefonar, servia para dar música ou que tinha uma aplicação que dá conselhos para acelerar ou acalmar o passo, se devemos beber água, quanto xixi temos de fazer, se perdemos mais meia caloria, ou se um iogurte natural é suficiente ao jantar.
Alguns dirão "ah tá bem... mas para melhorar, uma pessoa tem de ter referências". Claro que sim.
Mas para mim vou continuar a usar a referência que, julgo eu, muito bom atleta deve ter utilizado antes de existir tanta tralha tecnológica. Na minha ideia, em 1960 um gajo que corresse os 5 mil metros sabia o seguinte: "Ah o Pereira fez 5 mil metros em 18 minutos? Eh pá então eu tenho de fazer em 17 minutos e 59 segundos". E fazia.
E os ténis hoje em dia, meus senhores... Se não voarem é porque não são bons.
Com pastilhinhas dentro da palmilha para dizer se estamos longe ou perto.
Há ténis que são ordenados mínimos, meus amigos. E depois há os meus: €45,59. Preço final. Sem saldos.
E também não tenho t-shirts daquelas que respiram. E que expiram o suor mas não inspiram nada.
Nem calções para diminuir o atrito. Nem meias com apoio para o calcanhar.
Mas tenho dores, daquelas boas. Que se tinha quando éramos miúdos sempre que corríamos mais que a conta.
Por mim, sei que o percurso que faço tem 8 kms e é o que quero continuar a saber.
E sei que se correr muito depressa 3 minutos tenho de parar 1.
E que daqui a uns tempos tenho de fazer tudo sempre a correr.
Como? Correndo.

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