terça-feira, 17 de agosto de 2010

Dia de descanso


Hoje não vou correr. É uma sensação estranha, esta de ficar no trabalho e depois em casa. Porque uma coisa é certa: quando se começa a correr, parar é o mais difícil. Bem sei que estas palavras podem parecer saídas de um anomalia cerebral ou de uma visão distorcida da realidade. Mas não. A arte de correr está precisamente nesse gosto em não parar.

Ao início custa. “A dor de burro quando foge” é grande, muito grande. O burro parece nunca mais acabar, ou então foge para muito perto de nós. Depois, aos poucos, o corpo aguenta. Como diz o pai da Vanessa Fernandes, é sempre a sofrer. Mas não muito, pois o ritmo vai tomando conta de nós. Então, rola-se como um carro numa auto-estrada. A passada é constante, quase mecânica, e sobe automaticamente quando um qualquer mecanismo físico percebe que estamos a abrandar.

Depois, há o dia seguinte, como hoje. Que nos afasta das corridas mas mostra as suas consequências. Aquela vibração que percorre o corpo e que nos faz sentir cada músculo e cada articulação. É uma espécie de acordar lento, como se cada membro redesenhasse a sua forma. Ainda sinto o músculo da coxa esquerda a lutar pelo seu lugar na perna. E o joelho direito tem novos argumentos para reivindicar a primazia na locomoção.

Mas só até amanhã, altura em que as partes dão lugar ao todo. À vontade de correr. E de escrever sobre isso.

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