quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Da elegância e do peso das coisas.

Confesso: já não via a Marta há alguns meses. As redes sociais, já aqui tão propaladas hoje, têm destas coisas: aproximam o suficiente para que, de tempos a tempos, se diga olá, numa (ilusória?) sensação de proximidade, mas coarctam o convívio ao vivo. Ou talvez não seja nada disto e precisemos de motivos para explicar porque não bebemos aquele café, não fomos ao jantar, não pegámos no telefone e dissemos «olá, estava a pensar em ti».

A Marta chegou, cumprimentou todos e diz que já não me reconhecia. Disse que estava muito mais elegante, muito melhor, tudo isso. A primeira vez soube bem. À segunda, fico algo envergonhado. À terceira, acho que o que ela está a dizer é que não passava de um gordo-badocha-monte-de-banha-nojento que se arrastava por aí. Ou seja, o que inicialmente começa com um elogio, cedo se transforma numa preocupação. Explico-lhe que já não falávamos há muito, que fizera um regime alimentar e que já perdera algum peso há já bastantes meses (já agora, Rodrigo Abreu, grande nutricionista, é ligar para a CUF de Alvalade).

Se leram até agora, pensarão talvez que me preparo para fazer o elogio da corrida como meio para a elegância, palavras da Marta. Mas não é só isso, ou não é bem isso, mesmo porque, na verdade, os 18kg que perdi em cerca de quatro meses deram-se grandemente por cuidados alimentares, aos quais se somaram passeios de 30 minutos diários.

O quero dizer é que a corrida, entre outras coisas, faz-nos sentir bem connosco. Por isso, não sei se estarei assim tão elegante ou serão os olhos da Marta que assim me verão (o elogio e simpatia fácil da Marta também não deverão, nunca, ser excluídos). Quando se corre não se pensa nisso. Pensa-se em mais uma volta, pensa-se que aguentamos mais um minuto, que não vamos deixar de correr até ao próximo sinal stop, perseguir a corredora que parou agora para beber água. Pensa-se que somos capazes, quem disse que não?

E nessa altura, mais ou menos nessa altura, sentimos que, literalmente mas não só, nada nos vai conseguir parar. É nesse momento, nesse preciso e ínfimo instante, com as sapatilhas calçadas a fazer as vezes de asas que talvez não tenhamos, que sabemos que somos invencíveis.

1 comentário:

  1. Descobri hoje, por acaso, este blog e vou passar a acompanhá-lo!
    Também eu descobri, há pouco, as maravilhas/benefícios da corrida e estou a ficar fã. Por enquanto, e porque (ainda) tenho pouca resistência, só corro 5 minutos em passadeira. Ah... mas a meia-maratona de Lisboa aguarda-me. Nem que seja só em 2016!

    Boas corridas!

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