terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Objectivo 1ª Maratona: cumprido

Meses depois de ter começado a treinar calmamente, mas com o rumo bem definido, posso dizer que no domingo compensou. Compensou a chuva, o calor, os dias em que apetecia correr menos e os dias que apetecia dormir mais mas, acima de tudo, compensou a sensação de satisfação que vai para além da perna dorida, da bolha no pé e do desgaste que só quem corre 42 quilómetros e 195 metros tem a noção exacta do que é.

Quatro horas e quinze minutos depois de ter partido concluí a minha primeira maratona, na cidade onde vivo e onde treino. Só podia ter pedido melhor se aqueles 3kms (dos 37 aos 40) não confirmassem aquilo que eu esperava – o sofrimento necessário para se carimbar o passaporte de maratonista nunca é coisa pouca.

No entanto, concluir a prova a sprintar na pista do estádio 1º de Maio, passar por tantos sítios em Lisboa que conheço tão bem e por onde já tinha corrido parcelas no percurso e ter um dia com as melhores condições atmosféricas que podia desejar, ajudaram a colocar um sorriso condizente com a medalha ao pescoço, se bem que depois demorei meia hora a fazer a pé um percurso que por norma faço em cinco minutos para chegar a casa.

Não me vou pôr aqui a pregar sobre como isto é algo que toda a gente que tira gozo de correr devia fazer – cada um tem as suas metas e isso chega e sobra. Mas posso dizer que, no mesmo dia em que concluí a primeira maratona, o desejo não era de passar muito tempo sem correr, mas sim começar já a pensar onde é que para o ano poderei fazer a próxima.

Uma última nota, que só é última na ordem em que a escrevi e não na sua importância – a força e o carinho que veio da parte de amigos e familiares que se dispuseram em pontos chave ao longo do percurso. Podem ter sido apenas breves segundos, mas garanto que o alento que vem do apoio ajuda a encurtar as distâncias e isso, a nível mental, é uma grande ajuda.

E para além disto, porque em casa fomos dois a completar uma primeira maratona, acrescento que é bom acabar o dia no sofá, mesmo que com a capacidade de locomoção deveras reduzida, mas com o orgulho mútuo de olhar um para o outro e pensar “eu sabia que tu conseguias”. E depois queixarmo-nos que já é de noite e estamos às escuras porque ainda ninguém se conseguiu levantar para ir acender a luz.

Esta já está, venha a próxima.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Menos de 10 dias até à linha da partida

Com a inscrição já feita, bons exemplos como o do Paulo para seguir e a consciência que fiz o possível para me preparar como é suposto, a minha primeira maratona está aí à porta.

Conheço o percurso, sei que Lisboa não é uma cidade fácil para fazer uma maratona, pelo menos neste formato e até já fiz uma experiência à escala com aquele que me parece o maior obstáculo – a subida da Av. Almirante Reis, do Martim Moniz ao Areeiro, quando já for para lá dos 35kms de prova. Mas, tudo o que se conhece, será uma novidade quando a corrida for a sério.

Mentalmente, sabendo do famoso “muro”, resta-me aguardar e lidar com ele o melhor que puder. Nem um ligeiro incómodo físico que se fez sentir nas últimas duas semanas será impeditivo, ou pelo menos tudo indica que não o será.

Tenho a esperança que seja uma experiência interessante a todos os níveis e, apesar de ter projecções, o tempo que fizer será a menor das minhas preocupações. Quilómetro a quilómetro será escrita a história.

Por definir só dois aspectos: sendo certo que à partida correrei sozinho, ainda não decidi se vou com ou sem música. Há coisas que me agradam em ambas as vertentes, pelo que provavelmente será uma decisão no próprio dia. A outra questão prende-se com a escolha entre os dois pares de ténis que tenho aptos para o efeito, uns deles fieis velhos companheiros que poderão fazer aqui a despedida das grandes quilometragens e outros a novidade rodada a pensar na prova. A ver vamos.

Embora esteja confiante, resolvi tirar de férias o dia a seguir à prova. Nunca se sabe se não acabo feito num molho de brócolos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A minha primeira maratona

Se foi aqui que fui registando as primeiras impressões, faz todo o sentido que também seja aqui que venha deixar por escrito o feito conseguido ontem naquela que é, para mim, uma das cidades mais belas do mundo (o Porto, claro). Corri ontem a minha primeira maratona em cerca de 4 horas e vinte e quatro minutos. Fui acompanhado pelo clube Personal Runner, dirigido pelo António Nascimento e pela Meire Cesário Oliveira.

Tudo o que se diz sobre aquela provação é verdade. Não vale a pena mentir: quis desistir por várias vezes. Se até ao quilómetro 30 havia tempo para tudo (fazer piadas com os colegas de corrida, actualizar facebook, responder a amigos, picar outros), depois disso a coisa fica séria. Quando se entra no muro (e muro é bem capaz de ser, de facto, a melhor forma para descrever o que se sente), a coisa muda de figura. É um muro que temos pela frente, mas também é um muro sobre o qual temos a sensação de estarmos permanentemente a equilibrarmo-nos. Ao mínimo deslize, podemos cair lá em baixo. Um dos principais conselhos que me foi deixado por outro maratonista (o R.D.), e que ia já na sua 10.ª prova, foi: «cuidado, uma das coisas mais fáceis de se dar quando estamos no muro é cairmos». Isto depois do meu primeiro tropeção em que quase ganhei nova dentição. Íamos perto do quilómetro 30 e ele sabia o que se aproximava. Nós não. Nós era eu e o N.B., um guerreiro com mais dois dígitos de peso e idade do que eu e que esteve a marcar o ritmo durante os 10km. Notável. De um coração e mente impressionantes. E esses 10 quilómetros, ou mais, já não sei, nunca os vou esquecer.

Quando chegámos à foz do Porto, encontrei então outro quase maratonista, fizemos ainda uns três quilómetros juntos. Quando chegamos ao final da Av. Buenos Aires eu pensei que voltaríamos logo para a Avenida Boavista. Engano. Havia que dar a volta à rotunda, seguir até Matosinhos, e então subir a referida avenida. Reforço: subir. São 1500 metros que no dia anterior avistara e lembro-me de pensar: a subida nem é assim tão má. Mas nessa altura, claro, ainda não tinha 40 km em cima. O final foi penoso, foi ir buscar forças onde não se sabia que tinha.

O António e a Meire, a fazer de lebres aos outros companheiros do clube de corrida, chegaram logo a seguir. O país tinha cinco novos maratonistas e todos eles estavam gratos a esta dupla que nos treinou, e aturou, ao longo de meses. Sem nunca deixarem de acreditar que conseguiríamos.

Próximos objectivos? Aguardem um pouco. Prometo que venho cá dar-vos conta dos próximos passos. Ao Sérgio: tenho a certeza que conseguirás, rapaz. Só não me ofereço para te dar ajuda nesse dia e te acompanhar, porque, confesso: neste momento dói-me demasiado a cabeça e o ar para sequer pensar em voltar a calçar as sapatilhas.

Um mês para seguir o exemplo


Reza a lenda que foi ontem que o mui nobre e ilustre Paulo Ferreira cumpriu a sua primeira maratona num muito lustroso tempo ao ritmo das ruas da cidade do Porto. Enquanto mantenho a esperança que ele cá dê um saltinho para falar da experiência, vou fazendo as minhas próprias contas para lhe seguir o exemplo.

Falta agora menos de um mês para o dia 4 de Dezembro e o meu treino entra na fase final. O facto de o percurso da Maratona de Lisboa ser feito com alguns altos e baixos, nomeadamente os 3km a subir da Almirante Reis quando já estiver para além dos 35kms de prova, faz-me pensar que a gestão do esforço e do ritmo terá que ser cuidada ao pormenor. A ingestão de alimentos também, embora ainda não tenha percebido como vou conseguir colocar uma perna de borrego na minha bolsa.

A ver vamos como corre esta ponta final e, tal como comecei, nada melhor que o fazer com um abraço de parabéns ao Paulo que já faz agora parte da minoria de maratonistas que tenho o prazer de conhecer.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Uma meia maratona a meias

A dois meses da primeira maratona agendada, faltam sempre quilómetros para correr e tempo para escrever nas quantidades que precisamos. No entanto, a sorte de fazer parte de um casal corredor alinha muitas vezes cenários que de outra forma poderiam ficar desencontrados.

Cada qual com os seus métodos, objectivos e até parceiros de corrida, em provas normalmente despedimo-nos à partida e o reencontro dá-se à chegada, cada qual com as suas histórias, os seus relatos e uma medalha de alto gabarito para levar para casa. Mas, porque nem só de rotina se fazem as vivências comuns, na Meia Maratona da Ponte Vasco da Gama decidimos que não existiriam despedidas, nem reencontros e os 21kms seriam feitos a dois, sem preocupações de tempos.

E assim, apesar de continuar com dificuldade em perceber o porquê de termos meias maratonas a começar a horas que levam a média do horário de conclusão para algures entre o meio dia e tal e a uma da tarde, com sol abrasador, lá se fez uma meia a meias.

Tirando a parte da ponte (míseros 2kms no máximo), o resto é um percurso que conhecemos bem, entre Expo e Santa Apolónia com regresso à meta junto ao Pavilhão Atlântico. Muda apenas o quase silêncio, já que sem carros e sem espectadores tirando três ou quatro resistentes, sobra o ritmo das passadas dos corredores. Mais uma palavra de incentivo, mais um gole de água servido pelo meio de um olhar cúmplice e o peso do calor e dos quilómetros, dá lugar à alegria que trazem as placas a indicar que faltam 2kms e depois 1km. O público, aí em maior número, incentiva e apoia quem passa, com predilecção pelas senhoras e parece que os 20kms que já se passaram não custaram nada.

Com a meta à vista e o speaker a incentivar, decidimos que tínhamos direito ao nosso momento piroso e não haveria quem nos detivesse no sprint final. E foi assim, de mãos dadas, que o chip registou exactamente o mesmo tempo para ambos nesta meia a meias e que, pelo meio de tantas outras com cada um a solo, se espera que seja a primeira de muitas.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A vida depois dos 30


Bem vistas as coisas, em termos de maratona, não é a idade que me preocupa são os quilómetros que a compõem. E isto tudo não porque pense que não serei capaz de os fazer, mas sim porque não sei como o meu corpo irá reagir aos mesmos. Ainda faltam três meses para chegar o dia da maratona, mas eu cheguei agora aos 30kms e cheguei lá depois de três horas e picos de treino.

É sair de manhãzinha e dizer volto lá para a hora do almoço, é pensar que atravessas a frente ribeirinha da cidade quase de uma ponta à outra e depois voltas para trás, é saber que às x horas chega sempre um cruzeiro à doca em frente a Santa Apolónia e quando passas pela segunda vez no Terreiro do Paço já só faltam menos de 10kms para o fim. Só ou ainda? É aí que se instala o diálogo entre o corpo e a cabeça e que cada um que se esteja a iniciar nas distâncias terá oportunidade de o fazer à sua maneira.

Da minha parte, até aos 25kms foi a conversa do costume, o corpo que se queixa que isto não são maneiras de ser tratado, a cabeça que o manda seguir em frente, o corpo que às tantas já vai em automático e que, quando é a cabeça a duvidar do que estão a fazer, lhe diz que, seja como for já vão a caminho, por isso que se deixe ir andando. Mas, conforme chegamos a fronteiras novas, a parte final do treino é sofrida porque entre necessidade de comer, desgaste e constante hidratação, é nessa altura que vamos buscar as forças que os treinos todos que não apeteciam e que se calhar até ficava para amanhã nos deram. Respira-se fundo, pragueja-se ligeiramente (pronto, nem sempre ligeiramente) e faz-se o que falta até ao fim.

Depois do final e de uns primeiros instantes de recuperação, a sensação de estar mais perto dos 42kms vem em segundo lugar. A primeira é a de uma fome que dá vontade comer este mundo e o outro.

domingo, 28 de agosto de 2011

25+17

Agosto é um dos meus meses favoritos em Lisboa. A cidade está mais calma, mais vazia e respira-se uma maior tranquilidade mesmo entre quem, como eu, está a trabalhar. E se posso dizer que esta sensação já não é de agora, em relação à corrida tem um certo toque de novidade pois este mês coincidiu com o aumento das distâncias que percorro semanalmente, rumo à maratona de Dezembro.

A juntar à calmaria de Agosto, mesmo estando este Verão longe do calor de outros anos, ainda assim prefiro levantar-me pela fresquinha e correr as distâncias maiores ao sábado ou ao domingo, enquanto muita gente ainda dorme.

Quanto maior a distância, mais cedo saio e este fim de semana, para 25kms, arranquei faltava ainda um bom bocado para as oito da manhã. Bom tempo, algumas pessoas já junto ao rio e a certeza que um treino de duas horas e meia, por mais tranquilo que seja, ainda é um esticão.

Partindo de Algés chega-se ao Terreiro do Paço em cerca de 9kms, mas ainda não chega para o percurso de ida e volta. Por outro lado, chegam muitas pessoas a um sábado de manhã à Estação Fluvial, mas a maior parte vem para trabalhar e não presta muita atenção a quem passa a correr. Em Santa Apolónia, do lado do cais chega também mais gente, mas estes vêm em cruzeiros acabados de atracar e, tal o entusiasmo em conhecer mais uma cidade do circuito, também não reparam no tipo que ainda tem mais perto de 14kms para correr.

A volta é dada junto às bombas de gasolina em Xabregas e começa o regresso. Cada vez mais sinto a importância da hidratação e, para percursos grandes, também é preciso outro tipo de reforços energéticos. Ainda não cheguei à perna de borrego, mas barritas, marmelada ou gel energético já me fazem companhia.

Os aspersores que se vão encontrados ligados na fase final do percurso ajudam a refrescar e a dar alento para os últimos kms. Ao concluir os 25kms, surpreendo-me a pensar que ainda fazia mais uns quantos, mesmo sabendo que o plano de treino não prevê mais do que 32kms como distância máxima em treino.

Mas depois, penso que de 25 a 42 ainda são 17 e relembro porque é que nunca fui grande fã de matemática.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quase, quase!

Faltam cinco dias para a minha primeira meia-maratona, mais hora menos hora. O objectivo é conseguir completá-la em menos de 2h30, mais hora menos hora. Não vou quebrar recordes, a não ser os pessoais mas, dadas as circunstancias, chegar ao fim vai ser uma vitoria.

Ontem corri 17km pela primeira vez. "Só faltam mais quatro e fica feita!". As pernas hoje acusam o cansaço mas a barreira mental é a pior.

No próximo sábado faço a viagem - 4 horas e meia de carro - até ao local da corrida. Na semana passada estava lá a
nevar. De repente, muda tudo: antes dizia "só espero que não chova nesse dia". Agora só espero que não neve.

A roupa já está arranjada, a playlist está completa. Faltam-me duas corridas curtas (de 15 minutos cada) esta semana e o treino fica completo. Já decidi como apertar o cabelo para não me irritar ao fim de uma hora. Tendo em conta as temperaturas sub-zero naquela zona, vou correr os primeiros quilómetros de casaco. Ainda não decidi o que fazer com ele depois, quando o sol começar a espreitar. Ainda não sei se vou usar luvas, pelo menos ao inicio. Já olhei para o mapa, já li em que quilómetros vão estar as "water stations". Já tenho o Deep Heat pronto para suavizar os efeitos pós-corrida, especialmente tendo em conta que, no mesmo dia, volto a fazer quatro horas e meia de carro de volta a casa. Já percebi que estou um bocado obcecada.

Não há-de ser nada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Férias da corrida ou corrida nas férias


Quando as pessoas me perguntam se as corridas estão de férias, costumo brincar e dizer que mesmo quando tiro uns dias, tenho por hábito levar as pernas comigo. Por essa razão, a ausência aqui no blog tem mais que ver com redução de tempo em frente ao computador para aproveitar o que há lá fora, a par do desvio da escrita para outros projectos, do que propriamente uma folga extra para os ténis.

Com o objectivo de correr uma maratona antes do final do ano, comecei agora um plano de treino que me irá levar até Novembro/Dezembro, meses previstos para chegar a essa montanha em distância. Um plano flexível, porque vivemos numa época de horários escorregadios, mas exigente o suficiente para não dormir à sombra da bananeira.

Para já, enquanto o tempo é bom e os dias grandes, sempre que ando de carro ou vou para fora, levo o equipamento e os ténis na bagageira. Por exemplo, no último fim de semana isso proporcionou uns belos kms em corrida ao fim do dia em terras algarvias, passando por Altura e Cacela e dando-me a oportunidade de conhecer um percurso muito longe das minhas rotas habituais.

Já o calor, ao fim de semana, em dias de corrida longa, serve apenas de aviso que, tudo o que seja corrida de 1 hora para cima não convém que acabe muito depois das dez da manhã.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

37

é o numero de dias que faltam até a minha primeira meia-maratona. O treino tem sido instável e um bocado desregrado, talvez pelo facto de ter sido uma inscrição um bocado last minute que não me deu tempo para pensar muito em re-organizar horários e outros compromissos. E depois há também o frio. Treinar para a meia-maratona no inverno, com um emprego full-time e uma lista de outras actividades, é ainda mais difícil do que tinha previsto.

Na semana passada assumi a derrota face aos dias curtos e ao frio e inscrevi-me no ginásio - um destes que agora há para aqui que estão abertos 24h por dia, que é mesmo para não haver desculpas. As coisas começaram a melhorar desde que me inscrevi mas preocupa-me não ter ainda corrido mais do que 16km e estar a apenas 37 dias do Dia D.

Sinto-me culpada se passo mais de dois dias sem correr mas tenho andado a tentar convencer-me de que não faz mal. Será que não faz? Na segunda-feira, durante um jantar de trabalho, pus-me na conversa com uma das pessoas na minha mesa e fiquei a saber que o rapaz é um maratonista viciado. Disse-me que chegou agora ao ponto em que corre meias-maratonas quase só para aquecer, num qualquer dia de treino para uma das suas maratonas ou triatlos. Disse-me também que custou chegar a esse ponto mas acredita que, se ele chegou, qualquer pessoa consegue chegar. E depois disse-me também que o segredo dele e correr poucas vezes mas corridas longas de cada vez.

O segredo dele é exactamente o oposto do que tenho andado a fazer. Tenho 37 dias para mudar de táctica.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Devagar, devagarinho.

Os três leitores que ainda acompanham este blogue para seguir os relatos do Sérgio saberão que isto tudo começou em Agosto passado, mais coisa menos coisa. Eu próprio, e o Ricardo, calçámos as sapatilhas, convocámos os amigos, e começámos a correr.

Porque a vidinha lixa sempre tudo, tanto eu como ele fomos interrompendo os treinos. Ora treinava dois meses, ora estava três semanas sem ir aos treinos. Mas o inverso também aconteceu. Treinar três semanas e depois estar dois meses sem correr mais do que a caminhada acelerada para o autocarro (não se pode chamar corrida àquilo).

Voltei a semana passada. Devagar, muito devagarinho. Em passo de caracol. Na companhia do António, da Meire, da Janaína, que irão fazer tudo mas mesmo tudo para eu voltar ao ritmo. Como confio mais neles do que em mim, tenho a certeza que o ritmo virá e, por inerência, estes relatos também. Mesmo que sejam para apenas 3 leitores. 4, contando com o Sérgio.

Não deixam de clicar no link acima para verem quem é o António, a Meire, a Janaína. Uns monstros. Já colocaram sedentários a fazer ultra-maratonas. Eu já ficava contente que pudesse correr sem todas as dores que tenho.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Acabaram-se as desculpas


Depois de o médico me ter explicado que o único remédio para a dor no joelho direito seria investir num bom par de ténis de corrida, e depois de um bom par de meses a tentar convencer-me a mim própria a abrir a carteira, fui a uma loja especializada nestas coisas e, com a ajuda de máquinas e gadgets complexos demais para a minha pobre cabecinha, chegaram a conclusão de que os Mizuno Wave Nirvana 7 são os ténis ideais para mim.

Dei por eles mais dólares do que me apetecia ter dado (mais dólares do que alguma vez tinha dado por um par de sapatos) mas pelo menos agora estou devidamente equipada... dizem eles.

Custa-me habituar-me a ideia de que a minha convicção antiga de que os ténis não fazem diferença nenhuma estava errada mas a verdade e que, depois de estrear os Mizuno no fim-de-semana, apercebi-me de que fazem toda a diferença, comparando com os meus velhinhos ténis comprados baratos na Sport Zone, só porque gostava da cor.

Não, não me fizeram correr mais rápido nem fizeram com que respirasse melhor (o meu maior problema nas corridas neste momento) - mas são muito mais leves e, pela primeira vez, não tive dores no joelho após a corrida.

A minha primeira meia-maratona está a exactamente dois meses de distancia. Acabou-se a brincadeira.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

A teoria da relatividade das distâncias


Na minha “carreira” desportiva a corrida sempre teve um papel auxiliar. Foram muitos anos a jogar basket mais a sério e correr sempre foi a solução óbvia para manter a forma, inícios de época e recuperação de lesões.

Embora o basket continue a ser uma referência, e gosto de jogar sempre que posso, correr tem ganho outra relevância nos últimos tempos, muito por causa deste factor – a sensação de que, numa estranha mistura de diversão e algum sofrimento, ainda tenho muita margem de progressão.

Onde antes 8 kms eram um tecto simpático, rapidamente chegaram os 10 e olhava para uma meia maratona como uma coisa distante. “Duas horas a correr não é coisa para mim” dizia eu, quando já corria 12-15 kms. Se bem que o disse, pouco tempo depois já os meus actos me desdiziam, pois corria 20kms e a meia estava logo ali ao lado. Chegado aos 21kms, já vou aos 25, olho para os 30kms e o discurso já não é o mesmo “Bem, tenho que ir aos 30 se quero chegar aos 42kms”.

E, não são os 42kms que me assustam, são os 195 metros que é preciso somar a essa distância para fazer uma maratona.

No entanto, os patamares anteriores se bem que relativizados em termos de distância total, continuam a ser divertidos de correr. Neste domingo foram os 10kms da Corrida do Oriente, com sol, calor e o Parque das Nações como pano de fundo. Daqui a 15 dias, será a Marginal à noite, apenas 8kms, mas num formato que ainda não experimentei.

Relatividade à parte, sobra uma constante que ajuda em qualquer distância – a presença de bons amigos.

domingo, 15 de maio de 2011

Uma corrida real

Não conheço o percurso km a km, não garanto que a passada seja de rei mas, no próximo domingo, lá estarei eu, pronto a partir daqui.




E, 21kms e uns trocos depois, lá chegarei aqui.




Não me preocupa o tempo que demore pelo caminho. Eu cá, vou pela história.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Ponha aqui o seu pézinho



Por meio de corridas e treinos, ando a pensar se o futuro dos meus pés passa por aqui. Mas ainda não me decidi por completo a descalçar essa bota.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

De livros, de trabalhadores, de mães e de desafios.

No próximo domingo conjugarei, num só dia, uma passagem (literalmente) a correr pela Feira do Livro, uma dedicatória de 15kms ao Dia do Trabalhador e aquele toque especial do almoço de Dia da Mãe, em que a anfitriã só me deixará sentar à mesa depois de se assegurar que esta febre das corridas não me anda a deixar magrinho demais.

Quanto a desafios, já que falamos de feiras e de livros, e certamente é pelo meio destes que devem andar boa parte dos ilustres que conheço por estas bandas – Os ténis já acumulam pó na prateleira para que a prosa corra a bom ritmo ou é apenas um capítulo de pausa?

É que o caminho até à maratona de 4 de Dezembro ainda é longo, mesmo que parte do percurso seja feito por blog.

terça-feira, 26 de abril de 2011

25 de Abril sempre (a correr)


Não andando nestas lides de correr à tanto tempo quanto isso, tenho uma natural curiosidade em descobrir provas que, pelo seu percurso ou pela sua história, fazem parte da rotina de quem já acumulou muitas milhas nos ténis.

Assim sendo, porque nem só de grandes distâncias se faz o percurso até uma maratona, ontem homenageei o 25 de Abril de forma inédita – participando nos 10kms da Corrida da Liberdade, que já vai na 34ª edição. A partida não podia ser mais simbólica, saindo do interior do Quartel da Pontinha mas, o que me continua a agradar mais nestas corridas mais “pequenas” é o espírito que se vive à parte das grandes multidões, reforçado em particular nesta edição pelos cravos com que muitos fizeram questão de correr.

Há o reencontro entre veteranos das corridas, as picardias entre os habitués das provas nacionais, os grupos de amigos que combinam já a próxima data e a sensação de que, tempos e objectivos à parte, fazemos parte da “família corredora”.

Quanto à corrida em si, foi agradável, apesar do calor que insiste em marcar presença nos dias em que me dava jeito um tempo mais fresco. Embora 10kms sejam agora uma distância que me parece extremamente confortável, tenho sempre alguma dificuldade em controlar o meu ritmo ideal na fase inicial, pelo que me fui guiando por amigos meus “especialistas” na distância.

Quatro kms depois, entre voltas na Pontinha rumo ao Lumiar, com o estádio do Sporting à vista, já moldei a passada à distância. Arranca-se para o Campo Grande, fazemos a Avenida da República com direito a passagem pelos túneis, estilo BMWs suados e, de repente, surge a meu lado um parceiro desconhecido e logo fazemos um acordo. Eu puxo-o até ao Campo Pequeno, ele ajuda-me até ao Saldanha e depois é sempre a descer até aos Restauradores, local da meta.

Acelerando à medida que entramos nos últimos kms, cerro os dentes e ainda consigo ficar incrédulo como é que pessoas com mais 20/30 anos que eu passam por mim como se fossem de mota. Orgulhos feridos à parte, vejo que afinal não são 10kms, mas sim perto de 11, deixa estar já estamos na Avenida da Liberdade e as pernas não vão reclamar do acrescento (pelo menos na altura).

Corto a meta, cumprimento o parceiro desconhecido, que faz o mesmo antes de se despedir com um “Na próxima conto contigo”, sem que seja preciso definir quando será essa próxima. Recorde pessoal batido (qualquer coisa como 47 minutos aos 10kms), sem certezas exactas por causa da distância incorrecta e, com o sol do 25 de Abril já bem alto, é altura de descontrair e recuperar energias.

Até porque continuamos em época revolucionária de corrida e para a semana há um 1º de Maio para experimentar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Correr no inverno

Tenho corrido mas já há algum tempo que não vinha aqui contar. A corrida mais recente foi ontem - uma mini-maratona (10.5km) que incluiu quase 2km de corrida na areia (há coisa pior?) e alguns metros de corrida pela floresta (há coisa melhor?).

Agora que já vamos quase no final de Abril, acho que posso finalmente dizer que correr faz parte da minha rotina. Ainda não falhei semana nenhuma e o certo e que inscrever-me em eventos oficiais (até agora, um por mês) tem ajudado a forçar-me a correr (ate porque ninguém se inscreve nestas coisas para depois fazer má figura).

O verdadeiro teste, porém, está a chegar. No preciso momento em que vos escrevo, a chuva torrencial e o vento forte sobre os quais os senhores da rádio me tinham avisado hoje de manhã estão a ameaçar os meus planos de corrida desta tarde. Neste que é o primeiro dia em que sou forçada a aceitar o fim do Verão, começo a pensar que vou precisar de me esforçar mais do que esperava para manter o ritmo de corridas durante os próximos meses.

Aos meus caros colegas corredores desse hemisfério ai em cima que passaram o inverno a correr enquanto eu aproveitava o verão, qual é o truque? Correr de manhã quando está mais frio mas pelo menos esta de dia? Esperar pelo final do dia de trabalho e correr no escuro porque ao menos não implicar sair da cama mais cedo do que o estritamente necessário?

Qualquer dica para sobreviver ao inverno e continuar com as corridas é bem-vinda.

domingo, 10 de abril de 2011

De tempos a tempos

De tempos a tempos, gosto de correr sem tempo. O facto é que, quando comecei a correr um pouco mais a sério, passei a dar mais atenção a este factor. Até certo ponto, a verdade é que para mim ainda são as distâncias que fazem a diferença (como será correr 35kms, 40, etc?), muito mais do que pensar em melhores marcas ou recordes olímpicos. Mas, naquilo que é o mais rotineiro do comum atleta ocasional, o relógio de pulso é um bom companheiro.

Desde treinos de velocidade e não só, até saber quanto somos capazes de fazer em 10kms, em 15 ou numa meia maratona, muitas vezes caio na tentação de controlar pelo canto do olho coisas como médias, velocidades e distâncias, que me são transmitidas no momento pela modernice que é ter um chip ligado aos ténis.

No entanto, para que nunca perca a noção do gosto por correr só pelo simples prazer de o fazer, “obrigo-me” regularmente a correr sem relógio, baseando-me apenas e só numa vaga noção do tempo que passa, algo que também é mais fácil de adquirir com a experiência.

Assim, sobra mais tempo para pôr a conversa em dia com um amigo, observar a paisagem ou simplesmente pensar que para melhorar um tempo não é preciso ter um relógio. Basta desfrutar do que se está a fazer.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Mudança de cenário


A maior parte dos manuais de treino, sites de recomendação ou fóruns de corrida não inclui referências sobre como conjugar mudanças de casa numa metodologia de treino. Sendo assim, resolvi preencher essa lacuna com uma fantástica combinação de treinos experimentais.

Portanto, nas últimas duas semanas aquilo de que falei, quando falei de correr, não é do exercício de sobe e desce, mais ao estilo do Ricardo e dos Censos, mas sim do método empacota, carrega e descarrega, ideal para quem quer fortalecer os músculos e o critério de decisão na hora de decidir o que vai e o que fica.
Ainda assim, consegui descobrir um forma alternativa de treino, o chamado “sprint-a-ver-se-a-caixa-não-te-escorrega-das-mãos”, muito útil em percursos escada-carro, depois de acharmos que conseguimos aguentar com determinada carga, apenas para descobrir a meio do processo que se calhar não é bem assim.

Fora isso, já estou instalado na minha residência temporária para os próximos três meses e, com uma panóplia de cenários diferentes do habitual para explorar a minha volta, a próxima meta a curto prazo já está à vista – os 15kms do 1º de Maio, em circuito pelo meio de Lisboa.

A médio prazo, para não perder o ritmo, já está marcada nova mudança (que se espera definitiva nos próximos tempos) e tudo isto sem perder de vista o objectivo central – uma maratona antes do final do ano.

terça-feira, 22 de março de 2011

Uma pergunta aos membros deste blogue

Quando uma pessoa anda constantemente de um lado para o outro, a ler e a escrever, a subir e a descer escadas para entregar impressos dos Censos 2011, numa roda viva entre Lisboa e Paço de Arcos, da casa para o emprego, do escritório para o quarto, do livro para o computador, da Junta de Freguesia para os vizinhos - será que se pode dizer que esta pessoa não parou de correr? Afinal, de que falamos quando falamos de correr?

segunda-feira, 21 de março de 2011

O depois da ponte (e da barba)



Comecemos pelo final que, como a imagem já pode traduzir, foi feliz - 1h59m19s foi o registo oficial.
E, se o tempo pode sugerir um cavalgada heróica para impedir a adopção de uma barba mais permanente, na realidade foi mais um esforço de sobrevivência numa 24 de Julho / Avenida da Índia convertidos em sucursal do Sahara.
Para último dia de Inverno, pode dizer-se que os 23 a 25 graus que se sentiram tiveram pouco de invernosos. O dia bonito da fase inicial converteu-se em braseiro nos últimos kms e o facto de se acabar a meia já bem depois do meio dia, hora mais propícia para assar febras no asfalto, não facilitou a tarefa.

Apesar destes lamentos, continuo a gostar desta prova, quer pela oportunidade única da ponte, quer pelo terreno me ser deveras familiar. E se, até meio da prova, o tempo indicava um bigode nas redondezas, o calor que se fez sentir tirou-me boa parte da frescura e manteve-me apenas numa rota controlada para baixar das duas horas. Sofridos, mas não arrancados à última.

Missão cumprida, barba feita e o agradecimento devido ao relvado dos Jerónimos que tão bem me acolheu no pós meia maratona. Para além da satisfação que tirei da minha estreia neste percurso e no resultado, fica também um ensinamento – o calor não é de facto um bom companheiro e, se vou correr distâncias maiores nos próximos tempos, convém que o faça pela fresquinha.


PS – Obrigado Ricardo pelo elogio presente e pela lembrança futura. Aceito uma troca de galhardetes durante uma corrida informal.

domingo, 20 de março de 2011

Enquanto esperamos pelo resultado do Sérgio

Correr, de Jean Echenoz: a biografia de um época (o pós-guerra) e de um grande atleta (Emil Zatopek). Uma edição da Cavalo de Ferro pronta para ir parar às mãos do barbudo (ou não, vamos esperar pelo resultado) mais veloz deste blogue. Oferta da casa.

O antes da ponte

Por esta altura, devo estar a dormir. Não se trata de um caso de escrita sonâmbula, mas sim das benesses do texto pré-datado, para ajudar a garantir umas boas horas de sono que tanto eu como a (ainda) minha barba merecemos. Tive ontem a oportunidade de estar com dois escribas deste espaço na sexta à noite e ambos comprovaram que levo esta auto-aposta a sério, embora ache que lhes daria algum gozo ver-me em versão Moisés de longas barbas. A ver vamos.

Seja como for, apesar de se prever mais calor do que desejaria, atacarei os 21kms de amanhã com a mesma determinação com que encaro livros de grande volume que me vêm parar às mãos – é ganhar balanço ao início, mantendo o ritmo, para depois deixar a história ganhar asas do meio até ao fim.

Não vão faltar amigos, conhecidos e mais 40 mil companheiros de percurso nesta manhã de domingo. Esperemos que não falte também uma boa história para encerrar a mesma.

terça-feira, 15 de março de 2011

Uma promessa com barbas


Com a meia maratona de Lisboa já à porta não quis deixar de fazer uma aposta comigo próprio, na primeira vez em que vou passar a Ponte 25 de Abril a caminho de 21kms em vez da tradicional mini maratona. E, em termos de corrida, só gosto de apostar comigo próprio porque é apenas comigo que compito o que, traço geral, aumenta a exigência da aposta.

Assim, tendo em conta aquilo que treinei e para o que treinei, os objectivos são simples e modestos - correr a meia maratona em menos de duas horas. Apostei que o faria e que só me livraria da barba que já me acompanha há duas semanas se alcançasse o objectivo. Caso contrário, a barba permanece até que corra uma meia nesse tempo, o que me pode levar a duplo dos ZZ Top, caso as coisas corram mal.

Mas, para tornar a coisa ainda mais aliciante, caso baixe o tempo que fiz na minha meia de estreia em Dezembro (2h05m) em mais de 10 minutos, converterei essa barba em bigode durante uma semana.

Como se pode ver, no próximo domingo, para correr os 21kms a bom ritmo vai ser preciso pêlo na venta...

terça-feira, 8 de março de 2011

Hola, fui espanhol durante 20km


No meu percurso até à meia maratona do próximo dia 20, não tinha programada qualquer corrida adicional, para além dos habituais treinos. Mas, assim do nada, surge-me a proposta – 20kms de Cascais ao Guincho e voltar, numa prova que oferece a Estrada do Guincho como um dos principais atractivos.

A contrapartida de abdicar de um treino longo não ofereceu grande resistência e as condições metereológicas menos animadoras também não desmotivaram. Teria ainda de correr sob um pseudónimo, já que o corredor escrito era um jovem espanhol ausente devido a um casamento imprevisto.

Bueno, não sendo um ghostwriter, pois que seria então um ghostrunner por umas horas.

Domingo de manhã, ao chegar a Cascais, a chuva persistente prometia uma corrida em registo ensopado mas, no entanto, veio a provar-se que a chuva mentia. Minutos antes da partida, frente ao Hotel Baía, a chuva começou a abrandar e com os primeiros kms surgiu também um sol tímido. A primeira parte da corrida, dentro de Cascais, foi boa para desentorpecer perante um percurso que desconhecia e, lado a lado com o anfitrião (só em título, pois fazia também a estreia nesta prova), atacámos esse início de prova em amena cavaqueira, a um ritmo só ligeiramente mais rápido do que em treino.

Chegados à Estrada do Guincho, passando a Guia e ladeados pelo mar de um lado e o campo do outro, eis a primeira surpresa – o vento, habitual nessa zona, era quase nulo e as condições, a meu ver, estavam perto das ideais. E se uma boa paisagem ajuda numa corrida longa, então o Guincho deu-me uma ajudinha valente. Alcançado o ponto de retorno, perto dos 13kms, o abastecimento dos 15kms foi logo ali ao virar da esquina e aí acelerei um pouco, combinando o reecontro com o meu parceiro de corrida para depois da linha da meta, já que me sentia mais fresco do que ele.

Os 5kms finais foram divertidos, primeiro porque quando nos sentimos bem é fácil desfrutar de um final de prova, face às vezes em que os últimos kms são um calvário. Em segundo lugar, porque apreciei bastante o percurso que, apesar de ser algo diferente do que vou encontrar na meia da ponte 25 de Abril, provou ser muito convidativo. Finalmente porque, embora estivesse no último terço do pelotão, efectuei a prova em crescendo, contando-se pelos dedos de uma mão os corredores que me ultrapassaram nessa fase da corrida, face aos muitos que descontraidamente fui ultrapassando.

No final, a classificação era o que menos interessava (digamos que foi entre os ilustres 1000 primeiros), perante o facto de ter tido à disposição um percurso que recomendo vivamente a quem, como eu, goste de correr junto ao mar. Isto para não falar da experiência de ter sido a primeira corrida como espanhol.

Além disso pues que, a continuar assim, salvo imprevistos, o objectivo estabelecido para a estreia na “meia da ponte” será cumprido. Mas, sobre isso, falaremos mais à frente.

terça-feira, 1 de março de 2011

Sozinhos vs Acompanhados


Tem faltado algum tempo para manter o ritmo neste espaço, mas tal não se tem passado da mesma forma no que à corrida diz respeito. Dia 20 está já aí à porta e depois de muitos anos em versão mini, este ano dá-se a estreia em versão meia.

Pelo meio, antes da meia, caiu-me do céu um convite para ir fazer 20kms ao Guincho no próximo fim de semana. Visto ir em versão treino, ficarei certamente na cauda do pelotão, algo que não me preocupa minimamente, exceptuando se for ultrapassado por algum quadro da Paula Rêgo.

No meio de tanta correria, tento chegar a uma conclusão em relação a uma questão: existirão mais adeptos da corrida a solo ou serão mais os que preferem correr acompanhados? Seja qual for a orientação da resposta, na verdade creio que não há uma escolha certa ou errada e dependerá sempre de cada um e o facto é que até eu tenho dificuldade em decidir.

Por um lado, às vezes prefiro correr apenas comigo e, quanto muito, com música, aproveitando o tempo passado em corrida para limpar a cabeça e não pensar em nada ou, pelo contrário, pensar em tudo e mais alguma coisa ou ainda, ir dialogando com o percurso e com as minhas reacções ao mesmo.

Por outro lado, há algo recompensante em partilhar uma experiência de corrida com alguém, seja ela em amena cavaqueira (sinal de que ou se está em grande forma ou se vai demasiado devagar), seja em pequenos momentos que entrecortam o ritmo dos passos lado a lado ou até naquela motivação mútua de ter uns a puxar pelos outros.

O melhor desta dúvida, se é que a posso chamar assim, é que tendo em conta os planos de fazer a 1ª maratona em 2011, vou ter muitas oportunidades para ir experimentando ambas as vertentes.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nós contra os elementos



Pensem no dia ideal para uma corrida matinal.
Já pensaram?

Ok, agora esqueçam isso, agarrem nos ténis e saiam lá para fora para a chuva, para o vento e para uma manhã de domingo que podia até convidar a muita coisa, não sendo correr uma delas.

Será que dá mais gozo correr nas condições ideais ou contra a adversidade climatérica, superando-a?
Possivelmente, a resposta varia com cada um mas, no que a mim me diz respeito, sempre fui um claro adepto de “ser do contra”. Entre outras coisas, sempre gostei de jogar fora, com o público contra nós e usar a energia negativa do exterior, convertendo-a em energia positiva interior.

Antes que isto se torne num vago discurso cósmico sobre forças antagónicas, a coisa é muito simples – Saí de casa, estava a começar a chover. Saí do carro e, para além de chover, fazia vento. Comecei a correr e foi banho instantâneo, pelo que rapidamente deixei de me preocupar com a roupa molhada ou em desviar-me das poças. Para quê, se eu próprio era já uma poça ambulante?

E assim, poupando linhas com vários litros de água pelo meio e alguns requintes de malvadez, se fizeram uns simpáticos 18kms.

A satisfação de correr “contra” os elementos, sem outra preocupação que não seja correr, faz maravilhas por mim. Dou por mim a entrar orgulhosamente em casa ao ritmo do “schlop schlop” dos ténis em sopa e, antes do merecido banho indoor, pensando para com os meus botões encharcados “Se o dia esivesse bom, não estavas para aqui com pinta de herói não era?”

Eu bem disse que era do contra...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Are we born to run?




Christopher McDougall explores the mysteries of the human desire to run. How did running help early humans survive -- and what urges from our ancient ancestors spur us on today? At TEDxPennQuarter, McDougall tells the story of the marathoner with a heart of gold, the unlikely ultra-runner, and the hidden tribe in Mexico that runs to live.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

À procura de pistas?


Gosto de correr em percursos diferentes. Seja pelo meio da cidade, perante o olhar desconfiado de algumas idosas, que apertam as suas bolsas junto ao peito, quando por elas passa um gandulo a correr, seja junto ao rio, pelo meio de circuitos cheios de árvores, de noite ou de dia, haja tempo e cabedal para isso, eu experimento.

Mas para quem, de quando em vez, aprecie um treino de velocidade fazendo umas séries ou queira ter uma noção mais precisa de de ritmos em ambiente controlado, então fazer um treino em pista de atletismo pode calhar que nem ginjas.

Quando o faço, por norma recorro a duas pistas: mais regularmente à que fica no Estádio Universitário, adjacente ao pavilhão polidesportivo ou, mais esporadicamente, no Complexo do Jamor. Esta última é de utilização gratuita, estando a sua disponibilidade condicionada aos treinos de atletas que fazem parte do Centro de Alto Rendimento aí localizado. Já a do EUL, tem admissão reservada, mediante um pagamento que dá acesso também aos balneários e cacifos (2,15€ entrada normal).

Detalhes à parte, no Estádio Universitário, muitas vezes tenho tido a pista por minha conta ou perto disso, nos horários em que a utilizo. E confesso que me dá gozo fazer aquelas voltas de 400m e pensar como se sentirão aqueles que o fazem ao mais alto nível. Depois, olho para o relógio e vejo que os meus tempos correspondem para aí a três recordes do mundo, isto se os somarmos, sem que isso afecte o empenho do pseudo atleta.

Aliás, embora um treino de pista seja talvez mais monótono por ter lugar num cenário repetitivo, é fácil compensar com pequenos truques como fazer o treino com companhia ou fechando os olhos e imaginando que estamos no apuramento para os Jogos Olímpicos. Para evitar danos maiores, é melhor abrir os olhos antes de arrancar.

Destas experiências em pista (séries de 400 e 800m), o que retiro é que um treino de velocidade feito com alguma regularidade e sem nenhum profissionalismo exagerado, nos ajuda mais tarde a vários níveis em corridas mais longas. E, tendo em conta que o objectivo em 2011 continua a ser uma maratona, todas as ajudas são bem vindas e agradecidas.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os hábitos vão-se criando...

Fevereiro chegou a este lado do mundo já há algumas horas. Consegui manter as resoluções de ano novo intactas durante o mês de Janeiro. Não tenho dados estatísticos que comprovem mas creio estar perante um recorde pessoal do caneco! 31 dias inteiros.

Dêem-me um segundo só para dar uma palmadinha nas costas a mim própria.

Continuando.

Uma das resoluções - um constante work in progress - é a de tornar a corrida parte da minha rotina diária. O inicio do mês correu bem... Temperaturas de Verão e dias de férias são duas coisas que se dão a corridas. Depois houve o regresso ao trabalho e chegaram também as dores do joelho direito (que ainda estou para ir avaliar) e os intervalos começaram a ter que ser maiores. Ainda assim, nunca mais do que um ou dois dias.

Quando cheguei a meio do mês, decidi que queria chegar a dia 31 com 100km percorridos. No dia 29, comecei a ver a coisa mal-parada mas, chegada a manha de 31, calcei os ténis e fiz-me ao caminho. Ajudou ser feriado, poder correr a meio da manha. O resultado foi um total de 101.68km... e a conclusão de que a corrida agora faz mesmo parte da rotina.

Esta semana vou experimentar ir de autocarro para o trabalho e depois correr os 10km que me separam de casa ao fim do dia. Não há-de ser nada. Em Janeiro aprendi a deixar de lado as desculpas e a arranjar mais tempo para as corridas. Os efeitos notam-se bem: a dor no joelho está cá mas os pulmões já aguentam muito mais do que aguentavam antes.

Venha dai Fevereiro.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Do frio


Ao contrário de amigos meus, não tive a “sorte” de correr com temperaturas negativas acompanhado por um manto de neve, seja na Grã-Bretanha, na Áustria ou num inverno mais rigoroso em Freixo de Espada à Cinta. Por isso, que me desculpem aqueles que verdadeiramente já correram com frio a sério, mas ontem, sem a ajuda do amigo Celsius e com o contributo de um ventinho de Leste, que tiraria o ânimo a qualquer queniano menos preparado, fiz-me à pista. Lá consegui a companhia de dois amigos que tiveram o pouco tino de ir na minha cantiga e, posto isso, nada melhor do que irmos recriar uma secção de congelados à beira-rio, com o percurso de 15/16km Docapesca-Santos-Docapesca na ementa.

E então começa o frio.
Apesar de reconhecer o valor do devido agasalho do corredor no Inverno, tenho-me na conta de encalorado. Como tal, levei roupa a mais do que pensei levar, mas muito menos do que devia ter levado. Assim sendo, nos primeiros kms, quem se fosse a cruzar comigo teria tido direito a um espectáculo privilegiado em que, aparentemente, alguém tentava combater efeitos estilo Botox na cara, ao mesmo tempo que mexia os dedos da mão como se estivesse a lavar a cabeça a alguém furiosamente. Pude comprovar cientificamente que nos comportamos de forma estranha quando tentamos não congelar.

Ao fim de alguns kms, os que resistem à tentação de se transformar num douradinho começam finalmente a sentir partes do corpo que julgavam perdidas para sempre. Aquele calorzinho que resulta do esforço de repente começa a ter a companhia de um sol tímido tornando a coisa mais agradável e lá se vão sacando umas piadas, uma vez que os dentes já não se limitam a estar cerrados para balanço.

O ritmo é tranquilo e ao fim de uma hora e meia já se está de volta ao carro, onde uns casacos e uma música animada me ajudam a chegar à conclusão que, haja vontade e um sítio para descongelar, sempre se faz mais uma corrida mesmo que o frio não seja só psicológico.

domingo, 16 de janeiro de 2011

suor, ipods estragados e o mar - a primeira corrida oficial



A inscrição foi feita há meses atrás, com tempo para treinar o suficiente para a corrida quase se tornar num agradável passeio. Entretanto esqueci-me, distrai-me, desleixei-me... E todas as corridas de Dezembro foram feitas sem ter esta em mente. Ate que no dia 1 de Janeiro me apercebi de que faltavam apenas 2 semanas e era melhor deixar-me de preguiças. Em vez de duas vezes por semana comecei a correr quatro. Em vez de quatro ou cinco quilómetros, comecei a fazer oito ou nove.

Ao fim de uns dias, o joelho direito começou a dizer-me que devia acalmar-me, que não estava para isto. Quis evitar o medico mas não evitei a farmácia. O senhor saiu de trás do balcão, ouviu a minha explicação para as dores (tenho corrido que me farto) e disse-me que o joelho estava so a tentar habituar-se a todo este ritmo. Uma ligadura foi quanto bastou para parar de reclamar.

O despertador tocou as 5:30 da manha no sábado. Lembrei-me que já tinha a mochila posta de parte, com tudo o que era preciso, tinha o ipod cheio de bateria e musica que chegasse também.

Carreguei no snooze e dormi mais 10 minutos. Dez minutos depois, carreguei no snooze e dormi outros 10.

Perto das 6h, levantei-me a maldizer mentalmente o dia em que me tinha inscrito na corrida. O ferry que nos levou para a ilha estava cheio de atletas, a maioria deles já equipados. Pus o chip nos ténis enquanto desancoravam o ferry e o bib com o numero de inscrição (numero 15 de um total de mais de 2500...uma prova um bocadinho embaraçosa de que me tinha inscrito cedo) foi preso a t-shirt com alfinetes-de-ama quando estávamos a chegar aos cais na ilha.

O autocarro levou-nos pelo percurso que iríamos fazer a correr uma hora mais tarde. Subidas que nunca mais acabavam, que estas ilhas vulcânicas parecem que foram cuspidas do céu por um deus raivoso. Três idas a casa-de-banho mais tarde, preparamo-nos para o tiro de partida. Segundos antes, pego o ipod (comprado há 20 dias, novinho que só ele) do bolso e preparo-me para a corrida. O ipod escorrega das minhas mãos, cai no chão e o ecran esmaga-se todo. Não há musica para ninguém. Durante dois segundos, apetece-me voltar para casa. Depois oico o tiro de partida, pego no ipod esmagado, e começo a correr. Os primeiros cinco quilómetros passaram sem que os notasse, tal era a raiva em relação ao ipod. Depois disso, deixem-me de tretas e apreciei a paisagem (as praias, as vinhas, os campos desertos) e os gritos de apoio das pessoas que tinham saído a rua para ver-nos correr.

No total, 12km percorridos numa ilha lindíssima. Cruzada a meta, a celebração foi feita na praia onde passamos o resto da tarde e onde delineados o plano para a próxima corrida. Menos preguiça e mais treino, umas quantas corridas oficiais mais curtas para nos obrigar a manter o ritmo e, la mais para o fim do ano, a meia-maratona.

O joelho não se queixou, estava calor e a agua do mar foi remédio santo para qualquer dor de músculos que estive sequer a pensar aparecer. Que se lixe o ipod.

P.s.: Como sempre, desculpem-me a falta de acentos. Teclados estrangeiros... e o corrector ortográfico só reconhece alguns dos acentos perdidos.